H-D Iron 883: visual diferenciado e sensação de liberdade !!!


 

 

     A H-D Iron 883 é a representação de um lindo sapato de salto alto e fino, com pedras incrustadas e com um pequeno nome estampado de um estilista europeu. Todo preto, acompanhado de um vestido longo, o sapato é mais uma forma de representatividade de status, de desfile, para ser exibido mais pela sua imagem do que pelo seu conforto.

     Sim, toda mulher reclama que o sapato social é desconfortável, até o das marcas mais caras. E no meio para o fim das festas, muitas deixam de lado a sua relíquia dividida em longas parcelas para a leveza de um pé descalço e ou de uma sapatilha levada sorrateiramente na bolsa. Não consigo encontrar uma analogia mais perfeita do que essa para comparar com a nossa querida Iron 883.

     Ela é desconfortável para média e longas viagens, os espelhos são ineficientes, o motor aquece a ponto de cozinhar as suas pernas, o sistema de transmissão é duro, os freios são pouco efetivos e toda a vez que você parar em um sinal terá que desviar as pernas para não bater na pedaleira e machucar a canela. E além do mais, o piloto comum irá perceber essas características nos primeiros quilômetros rodados.

     Mas a questão é: isso não desvaloriza a Iron. E isso pode ser corroborado facilmente olhando os números de vendas da moto. Até o fechamento do mês de junho, ela foi o modelo mais vendido da Harley-Davidson no Brasil, perdendo o título somente em julho para a Fat Boy Special 1600. E isso por apenas 10 unidades.

     Como explicar esse fato? É fácil. Assim como o conforto não é um argumento diferencial para que uma mulher deixe de comprar um sapato de salto alto, o mesmo não se aplica para a aquisição de uma Iron 883. Sim, a pequena iron é o sapatinho de cristal masculino, desejo de consumo pela sua aparência e status.

     E exatamente neste ponto percebo facilmente a intenção da Iron. Ela não foi feita para oferecer conforto, mas sim um visual diferenciado e a sensação de liberdade, que lhe remete lá à década de 60. Agora entendo o porquê da sua vibração no guidão e nos pedais e do vento que entra involuntariamente pelas mínimas frestas do capacete quando se está pilotando uma Iron a uma velocidade mais rápida. É porque ela foi feita para se andar sem capacete, com pequenas luvas com os dedos de fora e com botas estilizadas. Consigo enxergar claramente um grupo de Hell’s Angels atravessando o litoral de San Francisco (Califórnia), todos pilotando Irons. E seria mais coerente se o jornalista norte-americano Hunter Thompson tivesse comprado uma Iron para lhe acompanhar quando aderiu ao grupo e escreveu o seu famoso livro sobre a gangue americana de motociclistas.

     Bom, não existe meio termo para uma Iron 883: ou você ficará apaixonado por ela ou a achará um lixo. E isso vai depender apenas da característica que você quer da moto. Como já adiantei na analogia inicial, um sapato de salto fino ou um confortável tênis para caminhada. E assim como no segmento dos calçados, você poderá comprar os dois modelos por praticamente o mesmo preço. Vai depender apenas da sua utilização.

     Deixando as comparações um pouco de lado, quero me ater a alguns detalhes técnicos que acho que valem a menção. Pessoalmente, achei a Rachel linda, ainda mais toda preta. As roda com 13 raios de liga-leve e tampas de válvula combinando com a pintura (como já disse Severo) realmente dão um charme especial.

     O painel sintético oferece todas as informações necessárias para a pilotagem em áreas urbanas e rodovias. Nota: mesmo em movimento é muito simples mudar as informações do display digital de hodômetro total para parcial ou para o relógio. Para isso, basta apenas um toque no botão que fica localizado na parte posterior do painel. O assento reduzido, que exclui a possibilidade de um garupa, me lembrou rapidamente os automóveis esportivos com apenas dois lugares.

     De todas as características que poderiam ser consideradas negativas na pequena Iron, acho que apenas duas deveriam ser revistas. Pilotar com os espelhos originais pode ser perigoso nas estradas, principalmente à noite, pois a visão é muito prejudicada. A minha segunda ressalva é sobre os freios. Tive apenas uma situação em que foi necessário acioná-los de forma mais brusca e a resposta foi mais lenta do que o esperado. Foi preciso pisar com força no freio traseiro e após acionar o dianteiro para conseguir reduzir o suficiente para não colidir com um carro que cortou a minha frente sem dar sinal (e ainda falam que são as motos que prejudicam o trânsito).

     Na estrada, a Rachel tem potência de sobra para ultrapassagens e uma boa velocidade final (não cheguei a esgoelar a moto, mas ela alcança com bastante folga aos 140 km/h). Mas pelo amor de Deus, não faça viagens longas sem intervalos para descanso! Sua coluna e suas nádegas irão agradecer. Percorri 250 quilômetros em uma velocidade de 120 km/h e a média de consumo obtida foi de 21,7 km/l. Considero bem econômica para uma moto com 883 cilindradas e 251 quilos de peso seco. Nos 250 quilômetros de volta, pilotando em uma média de 130 km/h, o rendimento caiu para 20,4 km/l, valor que ainda considero muito bom.

     Fora as pancadas características da marca quando se troca de marcha, um fato me chamou a atenção: a Rachel praticamente exige a mudança quando se chega a uma determinada rotação. Primeiro os pedais e começam a vibrar. Em seguida, os retrovisores espelham apenas borrões ao fundo e o guidão lhe implora que você troque a marcha.

     De fato, a Iron 883 é uma moto urbana ideal para pequenos deslocamentos e principalmente para quem sonha em ter uma Harley-Davidson e exibir para todos os seus amigos a sua companheira de duas rodas. Na cidade ela se sai bem, principalmente com o ótimo torque nas primeiras marchas. Dificilmente você engatará a terceira. Ela também pode ser explorada em pequenas viagens. Mas nada de se exaltar e querer atravessar o Brasil sobre a pequena Rachel. Além de desconfortável, você será obrigado a parar quase que de hora em hora para abastecer. Isso porque após consumir 8,3 litros de combustível ela acende a luz da reserva no painel (ainda restam 4,2 litros de reserva).

     Se você estiver disposto a gastar quase R$ 30 mil para ter uma moto com muito charme, estilo e status, a H-D Iron 883 é uma ótima opção e talvez você se apaixone logo a primeira vista. Agora, se você primar pelo conforto, pela funcionalidade, pela velocidade, pela esportividade ou pelo uso urbano ou estradeiro o mercado oferece outras opções mais indicadas pelo mesmo preço.

Fotos: Roberto Severo

Por: Eduardo Coutelle   –   fonte: http://www.bestriders.com.br

 

 

Equipe: MotosBR

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