Motos no “Corredor” – A Novela continua …


 

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     Motocicletas fazendo zigue-zague entre carros é uma cena muito comum nas ruas brasileiras. E um motivo extra de preocupação para quem dirige veículos maiores – medo de se envolver em um acidente, receio de perder um espelho ou ficar com a lataria do carro arranhada, entre outros transtornos. Mas essa liberdade que muitos motociclistas usufruem pode estar com os dias contados.

     Tramita na Câmara Federal (em uma velocidade bem inferior a de qualquer veículo de duas rodas, é verdade), o projeto de lei 2.650. De autoria do então deputado Marcelo Guimarães Filho, a iniciativa pretende proibir motocicletas e assemelhados de circular entre carros ou entre o meio fio e os veículos. Quem desobedecer à regra será multado por cometer infração média e vai ganhar quatro pontos na carteira de habilitação.

     A proposta foi colocada em pauta em 2003. Na prática, fará valer o artigo 56, que propunha justamente esse tipo de proibição ao motociclista, mas acabou sendo vetado da versão final do Código de Trânsito Brasileiro (CTB) pelo presidente Fernando Henrique Cardoso, em 1997.

     A redenção do artigo 56 é saudada por muitos técnicos e políticos como uma medida importante para reduzir o número de mortes no trânsito – levantamento do Detran demonstra que em 2010, 21% das vítimas fatais de acidentes no Estado eram motociclistas.

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     Os defensores da medida observam ainda que haveria mais respeito ao espaço de cada veículo na pista. Mas há quem duvide da eficácia da lei e alegue que a imposição só serviria para aumentar os congestionamentos nas ruas. Sugerem inclusive que a solução só viria com pistas exclusivas para motos, uma situação que está muito distante da realidade brasileira.

     Outros dizem que a fiscalização seria muito difícil. Polêmicas à parte, o caminho do projeto até sua aprovação é incerto.
Apesar de obter parecer favorável em todas as comissões, a proposta deve ir ainda a plenário por conta de três recursos que recebeu. Se os recursos
forem rejeitados, o projeto terá sinal verde para ser finalmente encaminhado ao Senado. Caso contrário, vai retornar às comissões e pode repetir praticamente a mesma trajetória demorada que cumpriu de 2003 até agora.

     E não há data definida para a apreciação dos recursos. O presidente da Câmara, deputado Marco Maia (PT) – que preferiu não opinar sobre o assunto –, só irá colocar o texto na pauta caso seja firmado um acordo entre as lideranças partidárias. Ou seja, tudo dependerá da vontade política dos parlamentares.
Mas é fato que a proposta não tramita em regime de urgência e ainda precisa disputar as atenções com temas como reforma política e reforma tributária.

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Técnicos divergem sobre eficácia
     A mudança no CTB conta com a aprovação do Departamento Estadual de Trânsito (Detran/RS). O diretor técnico da autarquia, Ildo Mário Szinzelski, avalia que uma motocicleta transitando entre veículos tende sempre a causar problemas. "Trata-se de um veículo pequeno e mais difícil de ser percebido por motoristas de veículos maiores", observa. O caminho para um trânsito seguro passa por uma fiscalização mais efetiva do comportamento do motociclista e a lei contempla isso, diz Szinzelski.

     O professor de Transportes e Trânsito da Unisinos João Hermes Junqueira alerta que a fiscalização da lei será difícil, uma vezque, da maneira atual, já não se consegue impor a lei. "Essa proibição nem seria necessária, pois já existe a determinação no CTB de que veículo deve sempre andar atrás de veículo numa pista", exemplifica. O professor argumenta que é preciso discutir uma solução com todas as partes envolvidas–motoristas, motociclistas, fiscalização – e formular uma regra mais realista.

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Controvérsia no ramo de tele-entrega
     O projeto 2.650/03 vai afetar diretamente as empresas de tele-entrega, que se valem justamente dos serviços de motoboys. O tema, entretanto, não é uma unanimidade entre os empresários do ramo. Se há quem se oponha frontalmente, também existem os que concordam. É o caso, por exemplo, do presidente Sindicato
de Empresas de Tele Serviços e Entregas Rápidas do Rio Grande do Sul (Setser/RS), Luiz Mello (foto abaixo), que tem uma empresa de entregas em Porto Alegre.

     Ele adianta que manifesta uma opinião pessoal, pois o assunto ainda não foi discutido pela entidade. "A lei não vai me criar problemas. Temos um plano de contingência na empresa. Uma equipe reserva entra em ação quando há um número maior de entregas. Além disso, nossa remuneração é fixa e não por produção. Isso dá tranquilidade para o funcionário, que não precisa se arriscar", explica.

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SAIBA MAIS
Como é hoje
     O Código Brasileiro de Trânsito (CTB) não proíbe explicitamente que condutores de motocicletas passem entre veículos numa pista ou entre calçadas e veículos.
Na sua criação, o CTB proibia esse tipo de manobra pelo artigo 56, vetado pelo então presidente Fernando Henrique Cardoso. Entre outros argumentos, o presidente alegava que esse tipo de proibição iria restringir demais a utilização de motos e que já havia restrições suficientes para garantir a segurança da circulação desses veículos.

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O que propõe o PL 2.650/03
     O projeto de lei – de autoria do então deputado Marcelo Guimarães Filho (PFL-BA) – pretende colocar em prática o artigo 56, proibindo que condutores de motocicletas, motonetas e ciclomotores trafeguem numa faixa entre veículos ou entre calçadas e veículos.

     Além disso, o condutor da moto deve manter distância de um metroemeio ao realizar uma ultrapassagem. A infração será considerada média e a punição será multa de R$ 85,12 (80 UFIR) emais quatro pontos na carteira de habilitação.

     No momento, o projeto tramita na Câmara. Já teve parecer favorável pelas comissões de Viação e Transportes (CVT) e de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJC). O PL recebeu três recursos que deverão ser votados em plenário – não há data marcada para a apreciação.

fonte: http://sobremotos.solupress.com

Equipe:MotosBR

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7 Comentários

Arquivado em NOTÍCIAS

7 Respostas para “Motos no “Corredor” – A Novela continua …

  1. Fredy Tejada

    Senhores:
    Lamentavelmente se esconde sob o manto da ineficiência governamental a incapacidade de educar, preparar, reciclar e orientar o condutor dos veículos automotores, incluídos os de 2, 4 e mais rodas e, diga-se de passagem, também os pedestres. Os exames para a “conquista” da habilitação são uma piada. A inoperância dos órgãos responsáveis nas vias públicas “incentivando” as infrações é um vexame. Os hospitais vão remendando um monte de corpos mutilados por acidentes no trânsito e devolvem à sociedade incontável número de deficientes. Não precisa ser gênio para deduzir que quem paga a conta é o cidadão responsável. E tem gente se achando “grande” por estar preocupada com as motos nos corredores entre as faixas. Sem dúvida é uma situação a ser avaliada. O que sobressai nesta situação é o pouco caso por parte dos envolvidos: governantes, legisladores, sindicatos, associações, fabricantes, etc., cada um puxando para um lado, na defesa dos seus interesses. Os políticos ainda não se deram conta que a médio e longo prazo educar sai mais barato para o país . Aliás, no aspecto educação de trânsito somos mesmo um país do terceiro mundo. Mas não tem problema, taí o Carnaval para esquecermos tudo isso e, se não for suficiente, basta tomar mais umas brejas a mais e pronto…depois vem o futebol… Deus nos ajude!

  2. JOSE CARLOS KLEINHAPPEL

    Caros,

    Leis mal feitas estão fadada ao fracasso, ao invés que pretender tutelar a população, vamos fazê-los responder pelos seus atos. Como motorista de veículos quatro rodas não vejo problemas de motos trafegando no corredor, desde que o transito esteja parado e a uma velocidade que me de tempo para possível correção de tragetória ou mudar de faixa quando necessário. Como motociclísta, sempre respeito sinal de seta dada por veículos de quatro rodas. É tão simples assim, todos respeitam todos.

  3. alcineu

    Olha só a mentalidade de quem autorizou motos andarem entre dois veiculos. Se esperam educação no transito, vão cansarem.
    Ainda mais que algumas capitais estreitaram a distancia entre faixas, ai ja viu, desviou para a lateral derruba mesmo, não há mais area de fuga para quadrimotores…
    Esses programas educativos do detran é mal extruturada, so passa em TV, quem trabalha não tem nem tempo para Tv…
    Porque nao criam uma via só para motos? Ai ninguem morre mais…vamos ser coerentes.

  4. wanderlei lima

    simples!
    é só esses politicos incompetentes normatizar e criar corredores pra motociclistas…
    quem e marcelo guimaraes filho?

  5. Carlinhos

    Do jeito que esta nao pode ficar. Isso tá uma selvageria, coisa pre-histórica, motivo de chacota para o futuro, caos!
    A verdade é que falta pista exclusiva para motos e hoje o que se vê é gambiarra, quebra galho. Mas para gambiarra ficar menos trágica, deveriam permitir corredor só com transito parado e limitar a velocidade nos corredores a 20km/h.

  6. a moto pode trafegar no corredor só quando os carros estão parados e não por sinal vermelho…por outros motivos de engarrafamento..agora eles trafegar pelo corredor a uma velocidade muito superior ao limite estabelecido e buzinando?então vamos a colaborar tudo mundo …?o quando tô montado na moto não existe lei eu fazo a lei?da para entender..?

  7. gerson

    o motociclista não buzina para provocar os motoristas mas sim para terem certeza que estão sendo vistos

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