Relato – ZOEIRA? TÔ FORA !!!


 

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By Paulo Cavalcanti,

Muitos questionam por que nós motociclistas ou motoqueiros (não é uma palavra que vai me definir, mas sim minhas atitudes) muitas vezes abandonamos nossos lares, nossas famílias, a segurança de nossa casa e nosso automóvel para pegarmos nossos cavalos de aço, sairmos para a estrada e fazermos as nossas viagens e participar dos encontros de motos.

Eu vou nos encontros de motos, primeiro porque é uma oportunidade para pegar minha moto\triciclo e apreciar o vento no rosto e o gostinho de aventura e, em segundo lugar, para conhecer novos amigos, rever velhos amigos, ver gente bonita, conhecer gente interessante, contar as histórias que todo bom motociclista tem, assim como ouvir o que o meu semelhante tem a dizer. Ver novas motos, tomar uma gostosa cerveja gelada ou uma boa água mineral. Ver e\ou comprar uma lembrancinha para os filhos e esposa que não puderam me acompanhar nesta boa aventura. Vislumbrar novos acessórios ou até mesmo comprá-los, quer seja para a moto, quer seja para mim mesmo. Ver as bandas se apresentando, quer sejam a locais, quer seja a de renome. Isto é o que me motiva a ir e participar de encontros.
Jamais saio de minha casa, do meu lar e do aconchego dos braços de meus entes queridos, para chegar em um encontro de motos e ficar ouvindo um campeonato de quem tem o som mais potente, se os arruaceiros, ou a organização do evento.

Jamais saio de minha casa, do meu lar e do aconchego dos braços de meus entes queridos, para chegar em um encontro de motos e não conseguir conversar ou ouvir a banda tocar, porque tem arruaceiros acelerando as suas motocicletas, ficar prejudicando meus tímpanos tendo que ouvir motos acelerando e “cortando corrente”.
Jamais saio de minha casa, do meu lar e do aconchego dos braços de meus entes queridos, para chegar em um encontro de motor e ter que me indispor, me estressar ou até mesmo chegar ao cumulo da ignorância e brigar.

Lamentavelmente, foi isto que aconteceu e acontece no "Marau em Duas Rodas".
Um dos Motos Grupos a que pertenço, organizou-se para participar do encontro em Marau (RS), como fazemos todos os anos.
O paizinho do céu não colaborou e mandou muita água lá de cima, o que acabou fazendo com que boa parte de meus companheiros desistissem de participar.
Pensei nos motociclistas da organização (empatia), e em como a chuva iria prejudicar o evento, então convidei um casal de amigos do moto grupo (Elton e Andréia) e mesmo desabando água, pegamos nossas roupas impermeáveis e fomos prestigiar os amigos.

Lá chegamos e fomos bem recebidos. Pouca gente, mas com muita vontade de participar de um belo evento. Tomamos nossas geladas (compradas lá), fizemos nossa inscrição (compramos camisetas), tomamos uma boa cerveja, olhamos as “lojinhas” e compramos alguns produtos dos expositores (calça, jaqueta, carteira e outras bugigangas), guardamos tudo isto no guarda volume e fomos conversar com os velhos (galerinha do The Billy’s) e novos amigos.
Conversamos com os amigos Fillipi e Ferreira de São Miguel do Oeste\SC (exemplo de encontro, onde arruaceiros não tem vez. Podiam aprender com eles) e com outros novos amigos, quando uns arruaceiros que estavam com uma camionete carregada de alto falantes começou a importunar com seu som alto, onde não pudemos mais ouvir a banda local que estava se apresentando.

Fui aos organizadores e pedi que tomassem uma providência. Disseram que iriam fazer algo. Depois do show, estávamos conversando quando ao nosso lado um arruaceiro começou a acelerar sua moto, e não pudemos mais conversar, sendo que, no mesmo momento, pedi educadamente para que parasse com aquilo. Continuou, desliguei a moto e entreguei a chave para a organização e pedi para que tomassem uma atitude. Devolveram as chaves e o arruaceiro continuou, mas como se não bastasse, foi chamar outro arruaceiro, que também começou a acelerar a sua moto.
Novamente fui até a organização e desta vez mandaram os seguranças chamar a atenção do dois. Eles pararam, mas ficaram incitando outros a acelerar, até que chegou um novo arruaceiro (este lamentavelmente de Passo Fundo/RS), o qual começou a acelerar a sua moto, mas não bastasse isso começaram os três com sua motos a fazer isso, e a provocar com palavras e gestos.

Como a segurança e o bom andamento do encontro não depende de mim. Novamente fui falar com os organizadores que estavam na Copa, e pedi aos mesmo que tomassem alguma atitude. Para minha surpresa me responderam que não podiam fazer nada e que os arruaceiros podiam ficar acelerando e cortando corrente, e que se eu continuasse a “incomodá-los” (a organização) quem seria retirado do evento pelos seguranças seria eu.

Voltei para meu triciclo, convidei meus amigos para ir embora, quando então novas provocações começaram (os arruaceiros viram que a organização nada fez, então cresceram as “unhas”. Alguém já disse que “O SILÊNCIO DOS BONS É SEMPRE A PROSPERIDADE DOS MALVADOS”), chegando quase ao cumulo de danos no triciclo e agressões físicas, o que só não aconteceu graças a turma do “deixa disto”. Quando estávamos saindo ainda gritavam “vão embora, saiam daqui, vocês não são daqui”.
Um dos amigos do The Billy’s, que conhecia o presidente do moto grupo organizador, foi chamá-lo. Contei tudo o que aconteceu, sendo que simplesmente pediu desculpas, tentou colocar a culpa nos seguranças (segurança não vai fazer nada, se não tiver o amparo dos organizadores), tentou justificar que com a chuva, só tinha aparecido o que não prestava (Presidente, eu apareci, bem como um monte de amigos e outros tantos bons motociclistas. Eram meia dúzia de arruaceiros, e não a maioria), enquanto que os arruaceiros faziam micagens e provocações. Pediu desculpas, mas quem teve que sair fomos nós. Isso não é pedir desculpas.
Salvo se acontecer algo de novo, nunca mais coloco meus pés (moto ou triciclo) no encontro "Marau em Duas Rodas".

Não saio de casa para me estressar, nem para brigar, saio para me divertir de forma sadia, e se os organizadores de um evento não podem garantir isto, não tem porque prestigiá-los. Fiz uma resolução na viagem de volta. Nunca mais vou me estressar com os arruaceiros, simplesmente peço para a organização tomar uma atitude, e se nada for feito, subo na minha duas ou três rodas e volto para a estrada para sentir o gostinho da boa liberdade. Eu não preciso dos encontros, eles é que precisam dos motociclistas, e onde tiver campeonato de som (não sou contra som alto, mas tudo tem seu momento e lugar) ou arruaceiros, eu estou fora (Zoeira tô Fora).
Martin Luther King, disse em certa oportunidade: “O que mais preocupa não é o grito dos violentos, nem dos corruptos, nem dos desonestos, nem dos sem ética. O que mais preocupa é o silêncio dos bons”.

Paulo Cavalcanti
MG Monges do Asfalto e Confraria Curva de Rio
e-mail: paulo@ginat.com.br
Passo Fundo – RS

fonte: http://sobremotos.solupress.com

“A Equipe de MotosBR, ressalta que nada tem contra a organização do evento ou qualquer relação com o autor do texto acima, porém, esse relato, com certeza, expressa o sentimento de inúmeros motociclistas que entendem a verdadeira essência que envolve a confraternização motociclística … e não poderiamos deixar de divulgá-lo …. uma vez que este não deve ser um fato isolado, pois, em vários encontros por todo país é permitido tais zueiras… “

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