Kasinski Comet GTR 250 EFI by Tite Simões


Apesar de muitos gostarem e alguns não, o Tite é muito respeitado no meio motociclistico, e testou a nova Comet GTR EFI, leia aqui suas impressões da máquina ………..

 

(Foto: Claudinei Cordiolli)

A Kasinski Comet GT 250R com injeção eletrônica é uma pequena esportiva com corpo de moto grande

Para entender a marca Kasinski é preciso voltar no tempo, em 1994, quando dois empresários brasileiros – Sérgio Bessa e Milton Benite – decidiram implantar uma nova marca de motos no Brasil. A escolhida foi a Hyosung, um gigante da indústria metalúrgica da Coréia do Sul, que já fazia sucesso com bons carros e motos. Para iniciar suas atividades na fabricação de motos a Hyosung comprou tecnologia da japonesa Suzuki e começaram a sair bons produtos a preços competitivos, porém um pouco abaixo dos japoneses em termos de tecnologia e acabamento, mas muito superior à maioria dos chineses.

 

 

Estrearam no Brasil com uma pequena 125 Custom muito bem acabada e já começava a desbravar o mercado quando foi absorvida pela recém-criada Kasinski, do industrial Abraham Kasinsky (sim, o sobrenome dele é com “y”). Com uma política de preço mal regulada (muito caro) e falta de especialistas em moto, os bons produtos da Hyosung perderam um pouco de qualidade e competitividade. Até que em 2009 um terceiro empresário do setor de motos – Claudio Rosa – comprou a Kasinski em associação com o grupo chinês Zongshen, nascendo a CR Zongshen, mas mantendo o nome Kasinski em alguns modelos. A primeira medida foi realinhar os preços à realidade brasileira e o segundo foi investir em tecnologia e qualidade. Aqui sim começa a parte boa!

A Kasinski Comet GT 250R deu um salto de qualidade tão grande em relação à primeira versão que seria melhor tratá-la como um outro produto. Tive a chance de testar (e odiar) uma das primeiras Kasinski Comet em 2005.  Visualmente são muito parecidas, mantendo o estilo esportivo, com guidão baixo, carenagem integral e dimensões avantajadas para uma 250cc. Aliás, é este porte que mais atrai os futuros donos da Comet: “ela parece uma moto maior”, alegam os proprietários. Já ouvi dono de Comet falar na maior cara de pau que “as meninas pensam que é uma 600cc”…

O acabamento melhorou muito! Os punhos elétricos continuam frágeis, mas os cabos já estão bem melhor organizados. Tanto a versão carenada quanto à naked estão mais bonitas e percebe-se que foi feito um cuidadoso trabalho em busca da qualidade, conceito meio esquecido na época do Sr. Kasinsky.

 

 

O acabamento das peças plásticas e a pintura estão bem cuidados e o novo painel, misturando instrumento analógico com display digital, deu um estilo mais atualizado. A carenagem com o diferente farol de duas lâmpadas verticais, emoldurados por duas entradas de ar fez a Comet GT-R ficar com cara de esportiva nervosa. Uma grande melhora visual foi na traseira, com lanterna de leds e a rabeta bem melhor resolvida. Só não gostei mesmo das barras de apoio do garupa que poderiam ser menores e mais discretas. Além disso acertei uma pusta canelada naquela %$#*& na hora de subir na moto! Eu arrancaria essas peças e transformaria a Comet em monoplace pra não levar ninguém na garupa!

A melhor notícia que recebi na hora de retirar a moto na Kasinski foi de que o experiente e super eficiente Milton Benite está na empresa justamente na área de desenvolvimento. Se tem alguém no Brasil que entende desse troço de duas rodas e um motor é o Milton Benite, que preparou um motor tão forte para a minha 125 cc de corrida em 1999 que larguei em último e na segunda curva já estava em terceiro lugar! Mas isso é outra história…

 

 

Uma das grandes (literalmente) vantagens da Comet é permitir o motociclista iniciante sair às ruas com uma imponente esportiva, mesmo que o coração desta máquina seja um motor de dois cilindros em V a 75º, oito válvulas, de exatos 249 cc de “apenas” 32,1 cv a 10.000 rpm. A grande diferença do atual motor é a alimentação por injeção eletrônica que deixou bem mais elástico e com muito mais fôlego do que a versão anterior carburada. Aqui vai uma advertência aos especialistas: o arrefecimento desta moto é a ar+óleo porque o óleo passa pelo radiador e depois circula no cabeçote, comando etc e também pelas paredes internas do cilindro antes de voltar para o cárter e recomeçar o circuito (tecnologia SACS – Suzuki Advanced Cooling System –, absorvida da Suzuki). A vantagem deste sistema é eliminar a necessidade de um radiador de água em alguns motores, mas obriga o motor a manter as aletas de arrefecimento no cilindro. A desvantagem: consome óleo pra dedéu!

Mas nem toda moto com radiador de óleo pode ser chamada de ar+óleo. A Honda CB 300, por exemplo, apesar de ter o radiador de óleo é a AR, porque o óleo não passa pelas paredes do cilindro, ele vai direto pro cárter!

Também a relação final de transmissão (coroa e pinhão) foi encurtada para dar mais retomada de velocidade, sem comprometer a velocidade final que foi de 161 km/h nesta avaliação (indicado no velocímetro). Mas não consegui acelerar tudo, ainda tinha uns 500 rpm antes de chegar à faixa de potência máxima, o que pode projetar uma velocidade final aí na faixa de 165~168 km/h no velocímetro. Sei de donos da nova Comet que já chegaram a 173 km/h de velocímetro e acho bem possível, mas não acredite naquelas alucinações de 180 km/h que aparecem no Orkut!

 

 

Para simplificar a linha de produção lá na Coréia do Sul, essa mesma estrutura da Comet pode ser equipada com motor de 125, 250 ou 350 cc. Por isso ela tem este aspecto bem maior do que uma 250 cc comum. Aliás, se colocadas lado a lado a 250 e a 650 são muito parecidas. Na Itália eu vi uma Comet 125 nesta mesma estrutura da 250cc e ficou horrorosa!

Esportiva

A posição de pilotagem é a mais esportiva possível, com os semi-guidões colocados diretamente nas bengalas da suspensão (invertida), pedaleiras recuadas e altas e banco em dois níveis. Essa espuma do banco se mostrou muito dura e poderia ser mais macia, mesmo sendo uma esportiva. Um dado importante é o suporte das pedaleiras com regulagem de altura (em três posições), algo raramente visto em motos de série. Essa peça é a prova definitiva que este quadro foi feito para receber várias motorizações, permitindo o uso por adolescentes, adultos, altos, baixos e gorduchos! Uma idéia que poderia contaminar outras marcas de moto porque é ótimo poder deixar a moto na medida da pessoa.

Uma das principais mudanças nesta terceira geração da Comet está nos
pneus. Continuam os mesmos eficientes Pirelli Sport Demon, mas na traseira foi adotada a medida 130/70 no lugar do 150/70, enquanto na dianteira continua o 110/70. Para quem gosta de pneu largo apenas pelo aspecto visual não imagina o quanto a Comet melhorou com o pneu traseiro mais fino. Além de deixá-la muito mais maneável, ficou mais equilibrada, em harmonia com potência e o conjunto de suspensões.

 

(Pedaleiras com regulagens)

Outra característica de esportividade vem do funcionamento áspero do motor, que tem o torque máximo de 2,31 kgf.m a 8.000 rpm. É um motor que gosta de trabalhar em alta rotação, sem prejudicar o consumo, que fica na faixa de 18 a 21 km/litro em média. A 120 km/h o conta-giros marca 8.000 rpm, sem revelar muita vibração, mas na faixa de 4.000 a 5.000 rpm a vibração é exagerada e chega mesmo a incomodar. Também exagerados são os cursos do pedal de câmbio e da manopla do acelerador. O velho problema de endurecimento do câmbio com o motor quente voltou a aparecer, em nível bem menor do que naquela primeira versão, mas fica difícil engatar o neutro com o motor quente.

Nem pense em levar passageiro na garupa! Com o banco em dois níveis, quem vai na garupa parece que está no segundo andar. Mesmo assim este “banco” do garupa tem uma saliência para evitar que o passageiro seja arremessado pra cima do piloto nas frenagens. E olha que vai precisar, porque com dois discos de 300 mm de diâmetro a frenagem é firme e eficiente. Este foi outro item que melhorou muito nesta terceira série das Comet. Confesso que olhei torto para os dois discos porque achei um certo e perigoso exagero, mas depois de alicatar o freio com violência de um viking ela não travou a roda dianteira de jeito nenhum! Ponto positivo! Mas na minha hipotética Comet eu instalaria um flexível aeroquip na dianteira.

 

 

Para avaliar esta moto eu fiz o mesmíssimo trajeto de 2005: rodovia Castelo Branco, Barueri, Santana do Parnaíba, Pirapora do Bom Jesus e voltei. Naquela ocasião anterior quase morri do coração ao entrar numa curva e a moto sair de frente tão violentamente que achei mesmo que mergulharia de cabeça no perfumado rio Tietê! Dessa vez, macaco velho que sou, fui mais devagar e aumentando a velocidade aos poucos, até fincar o acelerador de vez no meio das curvas e descobrir – feliz – que minha pressão arterial não passou de 13:8! A melhora foi tão grande que já dá para acelerar mesmo, com a faca nos dentes, sem olhar o tipo de piso. Nas curvas de alta ela ainda balança muito, mas é uma questão de ajuste fino da suspensão traseira (regulável). Eu até tentei levar a dona Tita na garupa, mas ela não resistiu mais de um quarteirão e desisti.

Mais alguns pequenos detalhes e a Comet será uma opção muito válida na faixa de 250 cc. Por exemplo, incluir um sensor de cavalete lateral para evitar sair com a moto com o cavalete abaixado. Curiosamente tem o sensor no câmbio, que impede ligar com a primeira engatada, mas não no cavalete! Não tive a chance de pilotá-la à noite, mas alguns colegas jornalistas afirmaram que o farol é bem eficiente.

O maior “problema” da Kasinski Comet GT 250R não está propriamente nela, que pode ficar ainda melhor com pequenos acertos, mas na concorrência. Na mesma faixa de preço o mercado oferece a Kawasaki Ninja 250, importada do Japão, com acabamento melhor, motor também de dois cilindros e o mítico nome Ninja que causa suspiros nos motociclistas brasileiros há mais de 20 anos.

 

Além da Comet GT 250R carenada, a Kasinski também tem na linha a Comet GT versão naked, sem carenagem, com guidão um pouco mais alto e apenas um disco de freio. Os preços da GT 250R estão em R$ 15.100 na versão monocromática ou R$ 15.600 nas cores mistas. Já a versão pelada sem carenagem sai por R$ 11.700. De pensar que em 2005 esta mesma Comet pelada custava R$ 15.000 imagino a raiva das pessoas que pagaram por isso. E olha que naquela época eu avisei: é muito dinheiro pra pouca moto!

 

 

Ficha Técnica

Dimensões

Comprimento Total – 2.095 mm

Largura Total – 720 mm

Altura Total – 1.135 mm

Distância entre eixos – 1.430 mm

Distância livre do solo – 155 mm

Peso a seco – 173 kg

MOTOR

Tipo – DOHC, 4 tempos, 2 cilindros em "V", 4 válvulas por cilindro

Refrigeração – Arrefecimento a ar e óleo

Capacidade volumétrica – 249 cm³

Diâmetro do cilindro – 57 mm

Curso do cilindro – 48,8 mm

Alimentação – Injeção eletrônica

Potência Nominal – 29,2 cv / 10.500 rpm

Potência Máxima – 32,1 cv / 10.000 rpm

Torque Máximo – 2,31 kgf.m a 8.000 rpm

Lubrificação Bomba de óleo

TRANSMISSÃO

Câmbio – 5 velocidades

Transmissão final – Corrente

Partida/Tipo de ignição – Elétrica / ECU

Embreagem – Multidiscos banhados em óleo

Acionamento da embreagem – Manual, mecânico

Bateria – 12 V / 12 Ah

CHASSI

Freio Dianteiro – Hidráulico a disco (duplo)

Freio Traseiro – Hidráulico a disco

Pneu Dianteiro – 110/70 – 17 54 H

Pneu Traseiro – 130/70 – 17 62 H

Suspensão Dianteira – Telescópica invertida (U.D.F)

Suspensão Traseira – Balança monochoque ajustável

CAPACIDADES

Capacidade do tanque de combustível – 17 litros – gasolina

Óleo do motor sem troca de filtro (ml) – 1.450

Óleo do motor com troca de filtro (ml) – 1.500

Óleo do motor, primeiro enchimento (ml) – 1.800

Óleo da suspensão dianteira (cm³) – 400

OUTRAS INFORMAÇÕES

Cores – 4 opções: Preta, Vermelha, Branca/Preta, Vermelha/Preta

 

fonte: http://motite.blogs.sapo.pt/

Equipe:motosBR

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1 comentário

Arquivado em KASINSKI

Uma resposta para “Kasinski Comet GTR 250 EFI by Tite Simões

  1. marcelo

    olha foi muito eficiente na sua conclusão, mas a comet gtr 2011, é perfeita, comprei uma e estou super feliz, ao contrário da ninja com painel de chevette,…horrível!!!!!!

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